Sentenças

Com efeito, aprendemos cada dia a compreender melhor as leis da natureza e a conhecer tanto os efeitos imediatos quanto as conseqüências remotas de nossa intromissão no curso natural de seu desenvolvimento. Sobretudo depois dos grandes progressos alcançados neste século pelas ciências naturais, estamos em condições de prever e, portanto, de controlar cada vez melhor as remotas conseqüências naturais de nossos atos de produção, pelo menos dos mais correntes. E quanto mais isso seja uma realidade, mais os homens sentirão e compreenderão sua unidade com a natureza, e mais inconcebível será essa idéia absurda e antinatural da antítese entre espírito e matéria, o homem e a natureza, a alma e corpo, idéia que começa a se difundir pela Europa sobre a base da decadência da antiguidade clássica e que adquire máximo desenvolvimento no cristianismo.

Friedrich Engels (1820-1895)

Publicado em: às 30 de março de 2009 em 20:35  Comentários (1)  
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Teoria Literária sem Frescura

o_texto_nu_-_capa Apresentar um assunto tão complexo como a Teoria da Literatura pode ser uma tarefa monótona e, por vezes, malograda; principalmente quando se trata de expor a um iniciante, da leitura ou da escrita, todas as principais escolas, tendências e enfoques na forma de se analisar e produzir um texto; dificilmente se conseguirá levar á cabo tão espinhosa tarefa sem tornar-se enfadonho ou mesmo redundante; basta lembrar-mos dos velhos e chatíssimos manuais de literatura do nosso combalido ensino médio que, ao invés de criar em nós alunos o gosto pela arte da escrita, inculca-nos uma verdadeira aversão pelos livros.

Mas não é esse o caso de O Texto Nu, de ZéMaria Pinto, um belo ensaio sobre ofício literário. Como já bem diz o titulo, o texto é despido, desmascarado, destrinchado e analisado sob as mais diversas perspectivas. Ao deixar de lado a linguagem obscura de muitos eruditos pedantes, nos apresenta um estilo agradável, leve, saboroso e, por vezes, bem humorado; sem preterir, contudo, a profundidade e o rigor no trato com o conteúdo. Talvez o presente ensaio se encaixe no famoso depoimento de Antonio Cândido sobre a vida de Aurélio Buarque de Holanda, quando o sociólogo da cultura afirmara que se deveria prezar pela seriedade sem, contudo, tornar-se sisudo.

Maria Pinto vai dos primórdios da criação textual e da analise da palavra, começando com a Grécia antiga, a dramaturgia trágica e as tentativas de Platão em explicar a arte, até a nova critica multidisciplinar dos dias de hoje; as características mais elementares de todas as escolas literárias através dos séculos; a distinção entre o texto-obra, artístico, e o texto objeto, usual no cotidiano; as correlações entre a forma e conteúdo; as analises sincrônicas e diacrônicas, esta, uma homologia entre os estilos de época e o quadro evolutivo da literatura ao longo da historia, enquanto aquela detêm-se na classificação literária enquanto modelo formal pertencente a determinado gênero; as variadas formas de se criar boa poesia; a distinção entre estilos individuais, como a marca própria do autor e o estilo coletivo, “o estilo modal dos indivíduos que escrevem em determinada época”; além de uma das teorias mais bem elaboradas para explicar os tramites da arte ocidental: a oposição entre dionisíaco e apolíneo, esboçada pelo grande Friedrich Nietsche em seu livro A Origem da Tragédia.

A parte mais original da obra é a teoria da Letra Poema, em que o autor lança mão de alguns pressupostos para analisar se determinada letra serve para música, e nos apresenta as categorias letra ordinária, letra funcional, letra poética, letra poema, poema letra, como hierarquização qualitativa as letras de musicadas — desconfio de que boa parte das peças de forró safado que tocam pelas espeluncas desta cidade vão ficar na escala mais baixa da classificação…

Contudo, o mais interessante, pelo menos para mim que escrevo ficção, é o capitulo IV, sobre a prosa ficcional, em que Maria expõe com simplicidade as mais variadas formas de narrativa desde as explanações preliminares sobre plano de enunciação e enunciado; as formas de narrativa; o narrador neutro, típico de prosas mais simples; o narrador intruso, tão comum em escritores mordazes como Machado de Assis e Sterne; e o narrador seletivo, meu favorito, e talvez a maior contribuição de Flaubert para a arte; além de retomar a discussão, nunca esgotada, sobre a distinção entre novela e romance. Afinal, novela seria um romance condensado ou um enredo em que há varias historias de caráter episódico?

Recomendo, por combinar simplicidade, estilo e rigor, a obra O Texto Nu, como uma bela e instigante lição introdutória sobre a arte de escrever para todo aquele que deseja se lançar nos tortuosos caminhos da palavra.

Publicado em: às 24 de março de 2009 em 18:38  Comentários (1)  
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Uma Verdadeira Opera Metal

Representante máximo do Heavy Metal britânico, o Iron Maiden é uma das maiores bandas do som pesado de todos os tempos. A grande competência dos músicos, e a habilidade de liderança do Sr. Steve Harris, fizeram com que a donzela de ferro atravessasse décadas praticamente incólumes as mudanças do mundo musical.

Enquanto várias bandas resvalavam na mais degradante decadência, eles mantiveram-se firmes, fazendo turnês gigantescas ao redor do mundo, levando o estandarte do Metal para todos os continentes, mostrando, uma vez mais, porque se tornaram clássicos e, acima de tudo, provando que musica de qualidade supera qualquer tendência passageira da indústria cultural.

O Iron Maiden, tanto do ponto de vista musical quanto lírico, é uma banda cult. Estes senhores não falam de coisas ingênuas como desilusões amorosas ou toda a podre temática que muitas vezes é abordada pela musica comercial. Seus temas giram em torno da historia, principalmente a britânica, literatura, filosofia e mitologia, mais especificamente do folclore inglês e da Grécia Antiga — como bem disse uma apresentadora da MTV, a donzela de ferro mostrou que bater cabeça também é cultura…

Nos últimos dois anos, o grupo resolveu fazer uma volta aos clássicos com a turnê Somewhere Back in Time, executando as boas e velhas canções dos seus melhores discos, que abarcam desde a estréia com Iron Maidem (1980), até o Somewhere In time (1986).

No dia doze de março os fãs amazonenses puderam ter o privilégio de ver um show da referida turnê: um verdadeiro sucesso de publico e crítica.

Para um admirador de heavy metal, ver o show da sua banda favorita pode ser uma experiência quase metafísica; contudo, numa cidade como Manaus, onde raramente se pode ter a chance de ver uma apresentação do porte de um grupo como o da donzela, tal experiência eleva-se á um verdadeiro êxtase dionisíaco.

“Não foi um show, foi um espetáculo…” Foi o que um amigo deste solitário escrevinhador dissera, dois dias depois. Pura verdade. O Maiden é extremamente cuidadoso com suas apresentações ao vivo, certificando-se de que cada cenário, figurino e jogo de luzes esteja em harmonia perfeita com a música em execução.

Reafirmando a velha fama de pontuais dos britânicos, o sexteto inicia ás nove horas em ponto, conforme anunciado nas propagandas, depois da apresentação da sofrível Lauren Harris (filha do Boss…), e abrem o show com Aces Hight, que narra a conhecida batalha aérea em que os britânicos conseguiram impedir a invasão da Inglaterra pelos nazistas, do disco Powerslave, considerado por mim e por muitos como o melhor já produzido pelo grupo.

Não podia faltar o velho Eddie dando o ar da sua macabra presença no palco, era a versão futurista do Some Where in Time, brincando com o guitarrista Janick Gers.

A banda mostrou um grande entrosamento que só os mestres demonstram; finalmente aprenderam a tocar com as três guitarras, que se harmonizavam perfeitamente; o baixo do mastermind Steve Harris mostra a mesma coesão de sempre; o baterista Nicko Macbrain, embora já passando dos sessenta anos, ainda tem o mesmo fôlego e agüentou sem problemas as duas horas de show; o carismático vocalista Bruce Dickinson tem força nos pulmões para cantar metal por pelo menos mais quinze anos; em matéria de virtuosidade da voz ele fica ao lado dos grandes Rob Halford e Ronnie James Dio; impressionava o condicionamento físico do cantor, que corria de um lado para o outro do palco agitando os espectadores sem desafinar nenhuma vez — um perfeito mestre de cerimônia.

Embora as músicas mais conhecidas foram as que obtiveram mais resposta dos quase trinta mil pagantes, considero que o ponto alto do espetáculo foram as peças Phantom Of the Opera, a melhor musica da fase Paul Diano e talvez a mais bem sucedida em combinar arranjos agressivos com uma atmosfera sombria; Powerslave, sem comentários, conhecida apenas pelos verdadeiros fãs, autoria de Bruce Dickinson; e a épica Rimer of the Acient Mariner, uma belíssima peça de mais de dez minutos, inspirada num famoso poema inglês, narrando a vingança que o espírito de um albatroz efetua contra a tripulação de uma escuna inglesa, uma mostra de como o sexteto ainda tem perícia em tocar longas e complexas canções com uma precisão quase cirúrgica, com nenhuma nota fora do lugar — nela o vocalista trajou um manto negro, simbolizando a morte, me lembrou um pouco a fantasia que ele usou para a musica Dance of Death, durante a gravação do DVD Death on The Road.

Um dos defeitos, porém, ficou com a execução da popularíssima The Trooper, que conta a historia da batalha de Waterloo, quando o exercito inglês vence as temidas forças de Napoleão; nesta canção Bruce Dickinson sempre empunha a bandeira inglesa, mas bem que poderia ter usado a bandeira do Amazonas, como fizeram os Scorpions, ou pelo menos a verde e amarela, ao invés de ficar dando uma ridícula demonstração de patriotismo ufanista.

Balançar a bandeira da pátria mãe em terras estrangeiras já causou problemas para o pessoal da donzela. Durante um show em Buenos Aires, o sexteto foi vaiado quando a bandeira real surgiu nas mãos de Dickinson.

O palco deveria também ser mais alto, pois para quem ficou mais afastado só conseguia ver a banda pelo telão, isso durante vários momentos, o que não era um grande consolo…

Também senti falta de peças como Murders in the Rue Morgue, To Tame a Land, Transilvânia e Gengis Khan, que com certeza funcionariam muito bem ao vivo.

O avião do grupo, Eddie Force One, usado para o transporte das turnês, foi uma verdadeira atração durante a sua estadia no aeroporto, com varias pessoas, entre estes vários funcionários, tirando fotos daquele boeing que tinha pintado o nome Iron Maidem e o rosto do demônio mais famoso do mundo, o Sr. Eddie.

Depois dos shows de Scorpions, Helloween, Gamaray, Whitesnake, Nightwish e agora Iron Maiden, Manaus parece finalmente ter entrado para o circuito dos grandes shows internacionais de rock. Os produtores de musicais da Paris dos Tristes Trópicos tomaram consciência que o rock, assim como outros estilos, pode ser um bom negócio — a despeito da crise global.

Com quase duas horas de verdadeira uma aula de como fazer um bom show de metal, o banda finaliza com Sactuary; as luzes se apagam e os roddies vem desmontar os equipamentos; são estes discretos e competentes funcionários que afinam os instrumentos, ligam os amplificadores, montam os pratos, as caixas, os tons, verificam o retorno de cada integrante e providenciam a troca de cenários; só eles sabem o gosto de cada musico; sempre discretos, nunca louvados, nunca lembrados, mas executam o seu labor com maestria, sem eles a apresentação não seria possível, estão de nota dez.

De fato, não era um show, mas também não era um simples espetáculo, era uma verdadeira ópera, uma Opera Metal.

Publicado em: às 18 de março de 2009 em 16:30  Comentários (2)  
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Metallica: do Suicídio á Redenção

Depois de ter passado por uma das piores fases da sua carreira, o quarteto mais famoso da Bay Àrea consegue, como poucas bandas, fazer o tortuoso caminho da superação com o arrebatador Death Magnetic, já considerado um clássico do Heavy Metal contemporâneo.

O fracasso de St. Anger (2003) tornou evidente que, se o quarteto quisesse mesmo voltar aos tempos áureos, deveria deixar de seguir as modas e tendências passageiras do rock e voltar-se para a tradição — a rica e revolucionária tradição do Heavy Metal dos anos oitenta, da qual o grupo faz parte e ajudara a moldar.

Então, em abril de 2007, o vocalista e guitarrista James Hetfield, o baterista Lars Ulrich, o segundo guitarrista Kirk Hammett e o baixista Robert Trujillo, viajam para Sound City Studios em Malibu, Califórnia, e trabalham duro até maio de 2008.

Os músicos foram buscar inspiração num dos seus mais técnicos e reconhecidos trabalhos, o And Justice for All, de 1988, que era uma critica avassaladora à justiça e ao sonho americano.

Deste modo, o novo trabalho possui uma estrutura bastante similar a do seu primo mais velho.

Death Magnetic é um disco rápido, extremamente pesado e técnico. Contudo, deve-se deixar claro que esse virtuosismo não o deixa opaco ou frio, como por vezes era o Justice For All, muito pelo contrário, é um trabalho de verdadeiros artesãos da música, de artistas peritos na composição pesada; sente-se a espontaneidade no desenrolar das melodias, como também uma sinceridade que há décadas não se via numa banda de rock. O resultado são dez faixas criadas a partir dos paradigmas do Metal nos anos oitenta, que empolgam e nos fazem pensar: o metal não morreu.

O ouvinte é seduzido pelos elaborados e destruidores arranjos de guitarras da dupla James Hetfield e kirk Hammett, que estão mais entrosados do que nunca; este, felizmente, voltou a fazer solos realmente dignos de serem ouvidos; Robert Trujillo, que no disco anterior estava totalmente deslocado e não tinha sequer participado de nenhuma seção da gravação de St. Anger, agora demonstra, no decorrer das faixas, um grande domínio do instrumento, com linhas coesas e precisas e nos apresenta o porquê de ter sido anteriormente escolhido como o baixista da banda de Ozzy Osbourne; Lars Ulrich, por sua vez, volta a tocar sua bateria com a vitalidade de outrora, e mesmo que nunca tenha sido um virtuoso no instrumento e atualmente perto de completar meio século de vida, sua performance supera a de muitos bateristas de vinte e poucos anos.

Esqueça aquelas bandas que falavam sobre demônios, monstros, ocultismo e outras bizarrices que emergem de castelos medievais, catacumbas esquecidas e outros clichês que só assustam alguns adolescentes ingênuos. O metallica explora temas cotidianos, como as distorções da nossa sociedade e a exploração do mundo capitalista. Os monstros e os demônios estão muito mais perto de nós. Existe algo mais assustador do que isso?

Um fato importante é a descentralização das composições, antes monopolizadas praticamente nas mãos da dupla Hetfield e Ulrich. Agora todo o quarteto participa igualmente na elaboração das músicas. Numa entrevista eles afirmaram que Trujillo já tinha contribuído em apenas um disco muito mais que Jason Newsted em mais de dez anos. Incompetência do antigo membro? Longe disso. Andréas Kisser, guitarrista do Sepultura e amigo pessoal de Newsted, em entrevista a Metalhead, afirmara que Jason fazia muitas músicas, contudo os chefes não as aproveitavam — se assim o fizessem, talvez os autores de Kill´m All não tivessem amargado uma fase tão ruim com discos medíocres e apagados…

Entre as faixas de destaque podemos citar That Was Just Your Life, que abre o disco com uma entrada bastante sombria, que vai ganhando aos poucos intensidade até descarrar numa poderosa avalanche sonora.

Suicide & Redemption, a penúltima, é uma típica musica instrumental de Heavy Metal, longa, cerca de dez minutos, com um tema principal e variações que lhe vão sendo acrescidas, logo ganha uma atmosfera amena, que vai cedendo lugar aos poucos para arranjos extremamente agressivos e um retorno inteligente ao tema principal; não é uma peça de grandes inovações técnicas, mas sua competência na execução e a habilidade dos compositores em encaixar-lhe as partes num todo perfeito, fazem-na da faixa mais bem construída do novo trabalho.

The Day That Never Comes conta a história de um soldado americano no Iraque; possui a constituição muito similar a da já clássica One, tanto na parte lírica, ao contar os horrores da guerra, quando na musical, dividida em duas partes, a primeira mais lenta, e uma segunda incorporando arranjos mais furiosos, além das guitarras dobradas nos lugares certos — além disso, o solo de Hammett é muito similar á sua versão para as músicas do Mercyfull Fate no disco Garage Inc.

Outras faixas que com certeza ficarão para a posteridade são Cyanide, The Judas Kiss e My Apocalypse, que fecha o disco — a mais pesada, com uma linha vocal bem semelhante á de Tom Arraya, do Slayer.

Mas o novo trabalho possui suas falhas, e está exatamente na pretensiosa The Unforgiven III, uma canção medíocre e notadamente comercial. Fazer a terceira versão de uma música soa como uma verdadeira picaretagem. Uma peça fraca, enfim, que nada acrescenta ao conjunto geral do disco, apenas quebra com a seqüência de acertos de Death Magnetic.

Voltar a beber na tradição, contudo, não significa uma transposição da mesma, mas a reinvenção dela a partir da situação histórica atual, por isso que Death Magnetic, mesmo inspirado no espírito clássico do Heavy Metal, está carregado de elementos modernos. Talvez algum headbanger fundamentalista considere isso uma heresia, entretanto, trata-se da constatação da injeção de vitalidade que o estilo está tomando — em oposição á fase de estagnação que o estilo sofrera nos anos noventa.

Ouvir Death Magnetic é uma experiência válida e agradável, uma prova de que o Heavy Metal não havia falecido, como proclamaram alguns apressados, mas ele desperta de seu sono de quase uma década, rejuvenescido e contestador — exatamente como deve ser a verdadeira arte.

Publicado em: às 11 de março de 2009 em 22:08  Comentários (1)  
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Sentenças

Não existem princípios; apenas fatos. Não existe bem e mal, apenas circunstâncias. O homem superior apóia fatos e circunstancias afim de guiá-los. Se houvesse princípios e leis fixas, as nações não as mudariam como mudamos de camisa, e não se pode esperar que um homem seja mais sábio que uma nação inteira.

Honoré de Balzac (1769-1850)

Publicado em: às 10 de março de 2009 em 17:50  Deixe um comentário  
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